18 de ago de 2026
Tipo: publieditorial
A pressão constante por resultados, aliada às rápidas transformações do mercado, tem levado um número crescente de profissionais ao limite do esgotamento físico e mental. Reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS), na CID-11, como um fenômeno ocupacional decorrente do estresse crônico no trabalho que não foi adequadamente gerenciado, a Síndrome de Burnout reforça uma pauta cada vez mais urgente nas organizações: não existe alta performance sustentável sem saúde mental e segurança psicológica.
“Ao longo da minha atuação como psicóloga organizacional e diretora na área de Recursos Humanos, tenho observado que um dos principais desafios das empresas é reconhecer os sinais de esgotamento antes que o adoecimento esteja instalado.” aponta Fernanda Macedo, psicóloga organizacional e diretora da Life DH Consultoria. Mudanças repentinas na produtividade de profissionais historicamente eficientes, aumento de erros, dificuldade de concentração, apatia e perda de engajamento podem indicar um quadro de sobrecarga. O presenteísmo também merece atenção: o profissional está fisicamente no trabalho, cumpre sua jornada, mas demonstra distanciamento emocional e pouca conexão com suas atividades e com a equipe.
Irritabilidade excessiva, maior sensibilidade diante de situações cotidianas, isolamento e redução das interações também podem funcionar como sinais de alerta. Quando a sobrecarga se prolonga, podem surgir alterações no sono, dores de cabeça, queixas gastrointestinais e aumento das faltas. Esses sinais, isoladamente, não determinam um diagnóstico de Burnout, mas indicam que algo precisa ser observado e cuidado.
É nesse cenário que a liderança assume um papel fundamental. Construir segurança psicológica significa criar um ambiente em que as pessoas possam expor dúvidas, dificuldades, erros e limites sem medo de constrangimentos ou retaliações. Isso não significa ausência de cobrança ou metas, mas uma gestão mais consciente, capaz de equilibrar resultados e cuidado com as pessoas.
Na prática, é fundamental revisar periodicamente cargas e fluxos de trabalho, estabelecer metas possíveis, fortalecer uma comunicação transparente e preparar os gestores para conversas individuais pautadas na escuta ativa. Respeitar limites de desconexão fora do expediente também é uma medida importante para prevenir a sobrecarga.
“Cuidar da saúde mental não significa reduzir a régua da performance. Pelo contrário: significa criar condições para que os resultados sejam consistentes e sustentáveis. Empresas que compreendem essa relação transformam o cuidado com as pessoas em parte da estratégia, fortalecendo suas equipes, suas lideranças e a própria sustentabilidade do negócio.” conclui Fernanda.