Artigo

O Nordeste que se vive

08 de out de 2026

Tipo: publieditorial


Por: Suemy Vasconcelos, diretora-executiva do Visite Ceará

Ser nordestino é carregar vários lugares e modos de ser consigo. Está no jeito de falar, na comida que reúne a família, na música, nas festas, nas paisagens e na maneira de receber quem chega. Talvez por isso seja tão complexo explicar o Nordeste para quem nunca esteve aqui, pois a região não cabe em uma fotografia ou em um roteiro de viagem. Ela precisa ser sentida e vivida.

A nossa região vive um momento de expansão do turismo, com mais pessoas chegando, novas conexões aéreas e destinos que ganham espaço nos roteiros de quem viaja pelo Brasil. Fortaleza faz parte desse movimento e vem fortalecendo sua presença no turismo de eventos, recebendo congressos, feiras, encontros profissionais e competições que trazem visitantes de diferentes lugares. Mas, para mim, existe algo ainda mais impactante nessa movimentação: a oportunidade de apresentar a nossa terra para quem talvez esteja chegando aqui pela primeira vez.

Nós temos muito a mostrar. A cultura nordestina não precisa ser construída para o turista. Ela já está nas ruas movimentadas e coloridas, nos mercados com produtos regionais, nas festas populares e tradicionais, no artesanato característico, na música agitada e na culinária cheia de temperos. No Ceará, está também nas nossas gírias, na forma de receber, conversar, criar vínculos e fazer com que quem chega se sinta, de algum modo, parte da casa.

Gosto de pensar nessa capacidade que o Nordeste tem de transformar passagem em encontro. Valorizar a cultura nordestina no turismo não significa colocá-la em uma vitrine ou reduzi-la a uma atração. Na verdade, acho que se trata de reconhecer que ela já é parte fundamental da experiência de quem chega.

O Ceará tem infraestrutura, conectividade, belezas naturais e uma cadeia turística preparada para receber diferentes públicos. Mas também tem algo que não se constrói artificialmente: uma identidade própria. E quanto mais conseguirmos fazer com que essa identidade esteja presente nas experiências oferecidas aos visitantes, mais sentido terá falar em um turismo que entrega uma história para levar para casa.

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