Cultura

“O Auto da Compadecida 2” ainda faz brilhar os olhos, mas não tem o mesmo carisma do primeiro — review por Richardson de Sousa

26 de dez de 2024


Review de O Auto da Compadecida 2
Foto: divulgação

Seguindo seu compromisso com a cultura, o Made in Ceará traz abaixo um texto sobre o filme “O Auto da Compadecida 2”, sequência de um dos maiores sucessos do cinema nacional. O autor é o jornalista Richardson de Sousa, editor do @horadoentretenimento.

“O Auto da Compadecida 2” ainda faz brilhar os olhos, mas não tem o mesmo carisma do primeiro

Cercado de nostalgia e expectativas, “O Auto da Compadecida 2” chegou aos cinemas na última quarta-feira (25). Com uma passagem de tempo significativa, o filme acompanha a história de João Grilo (Matheus Nachtergaele) e Chicó (Selton Mello) após 25 anos da versão original, lançada em 2000.

Chicó vive em Taparoá, no sertão da Paraíba, onde sobrevive vendendo versos de cordel e santinhos esculpidos de madeira. O público confere o reencontro dos amigos quando João Grilo decide voltar à cidade e viver novas aventuras. A continuação é dirigida por Guel Arraes e Flávia Lacerda. 

O longa-metragem faz brilhar os olhos, mas não mantém o mesmo carisma do primeiro. Os novos personagens não são tão envolventes e ganham poucas chances de brilhar em um roteiro que poderia ser melhor explorado. Virgínia Cavendish e Fabíula Nascimento são dois nomes que mereciam mais espaço: as atrizes destacam-se em seus papéis, mas não tiveram espaço suficiente. A produção fica pelo meio do caminho em alguns aspectos, que poderiam ser melhor trabalhados. 

Com gravações feitas em estúdio, os cenários são apresentados utilizando tecnologias avançadas como CGI. O uso dessa inovação possibilita visuais bonitos, mas que se tornam artificiais a cada cena. Em alguns momentos, os frames transmitem a sensação de estarmos vendo um ambiente virtual e limitado.

As atuações são o ponto alto do filme. Os protagonistas ainda possuem a mesma química e os atores escalados para viver os novos personagens também se destacam. Apesar de não ter reencontrado o tom e as entonações de Chicó, Selton se mantém muito competente em cenas de drama e comédia. Em contrapartida, Matheus parece ter encarnado João Grilo por 25 anos. O ator faz o público voltar no tempo com uma atuação fiel e mais madura do personagem cômico. Os dois atores merecem elogios.

O enredo ganha fôlego quando traz maiores referências ao primeiro filme. As sequências protagonizadas por Matheus e Taís Araújo são as mais emocionantes, trazendo o mesmo frescor dos anos 2000. O filme se encerra evidenciando a amizade dos personagens e o talento da dupla principal, que nos arremata com um texto primoroso sobre afeto e amizade. 

“O Auto da Compadecida 2” encerra o ano como uma sequência mediana, que não faz jus à grandiosidade do original. Apesar disso, ainda é um filme leve e nostálgico. Os fãs não devem esperar uma grande história, porém vale a pena reviver mais alguns momentos desse clássico atemporal.

Richardson de Sousa, jornalista

Richardson de Sousa é jornalista. Editor da página “Hora do Entretenimento” e assessor de imprensa.

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