15 de mar de 2024

No segundo semestre de 2024, parte das obras da 35ª Bienal de São Paulo – coreografias do impossível – chegará ao Ceará diretamente no Museu de Arte Contemporânea do Ceará (MAC-CE), integrado ao Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, complexo cultural da Rede Pública de Equipamentos Culturais da Secretaria da Cultura do Ceará (Secult Ceará), gerido pelo Instituto Dragão do Mar (IDM). Entre quinze cidades, sendo 11 brasileiras e quatro estrangeiras, Fortaleza receberá, entre setembro e novembro, um recorte da exposição que, em 2023, assumiu protagonismo no cenário artístico e cultural paulista.
O olhar dessa curadoria feita para a capital cearense é dos quatro curadores que têm trabalhado coletivamente na edição: Diane Lima, Grada Kilomba, Hélio Menezes e Manuel Borja-Villel. A ação acontece por meio do programa de mostras itinerantes, realizado pela Fundação Bienal de São Paulo de forma consistente desde 2011, com a 29ª edição da mostra.
“A realização da 35ª Bienal de São Paulo no Ceará proporciona um intercâmbio cultural valioso, sendo um evento de renome no cenário artístico. Ao receber a itinerância da Bienal, o Ceará destaca-se como um polo cultural relevante”, ressalta a secretária da Cultura do Ceará, Luisa Cela.
“A sua presença aqui promoverá uma dança cósmica, ancestral e destemida”, comemora a superintendente do Centro Dragão do Mar, Helena Barbosa, que explica a conexão direta das políticas desenvolvidas atualmente no centro cultural com as temáticas desta edição. “Para nós, o misto de correnteza aviva o motim da descolonização e renova a perspectiva da institucionalização. A cultura da encruzilhada, que fundamenta nossa política, tem como força motriz o reconhecimento da diferença na estruturação de uma prática de gestão que busca incentivar o fortalecimento de espaços de confiança que incitam o indivíduo ao processo de insurgência e apoderamento das suas liberdades. Acolher a 35ª Bienal de São Paulo é consagrar mais um passo rumo a essa soberania criativa que ignora as fronteiras, transmuta a noção de tempo, espaço e poder, e promove a solidariedade entre as singularidades e as alteridades.
Como contextualiza a gestora do MAC-CE, Cecília Bedê, “receber a 35ª Bienal de São Paulo no MAC-CE é um marco para o momento atual. A mostra reúne diversas linguagens artísticas e cria um forte conjunto de vozes diaspóricas e de povos originários, enraizados na força de tornar movimentos impossíveis em embate, possibilidade e compartilhamento. Suas obras nos indicam dispositivos de enfrentamento, retomadas e de realização. Apresentar esse recorte para o público cearense, a partir do território em que o MAC e o Dragão estão inseridos, é abrir espaço para essa dança tão necessária”.