Saúde

Médicos do SOPAI iniciarão nova paralisação caso pagamentos não sejam realizados em até 72 horas

23 de set de 2026

Tipo: publieditorial


Profissionais também apontam insuficiência da equipe, sobrecarga no setor de urgência e fragilidade da segurança no ambiente de trabalho

Foto: Divulgação

Os médicos que atuam no Hospital Infantil SOPAI deflagraram uma nova paralisação parcial dos atendimentos caso as reivindicações da categoria não sejam atendidas no prazo de 72 horas. A decisão foi tomada durante Assembleia Geral Extraordinária (AGE), realizada no último domingo (20), e considera, além do atraso no pagamento referente ao mês de julho, a insuficiência do quadro médico, a sobrecarga no setor de urgência/pronto-atendimento e a fragilidade da segurança no ambiente de trabalho.

Na segunda-feira (21), o Sindicato dos Médicos do Ceará notificou a direção do SOPAI sobre a paralisação, dando prazo de 72 horas para o cumprimento das reivindicações. As exigências incluem a quitação dos valores referentes ao mês de julho, a adição de mais um médico por turno no atendimento ao SUS na urgência/pronto-atendimento e a manutenção de segurança permanente na triagem e no Pronto Atendimento.

“Desta vez, não se trata de uma reivindicação exclusivamente remuneratória. A preocupação manifestada pela categoria envolve também a necessidade de assegurar condições mínimas e adequadas para o exercício profissional, especialmente diante da sobrecarga da equipe médica, das mudanças na organização do serviço e da necessidade de proteção dos profissionais que atuam na linha de frente do Pronto-Atendimento”, destaca Dr. Edmar Fernandes, presidente do Sindicato dos Médicos do Ceará.

Caso as reivindicações não sejam atendidas dentro do prazo estabelecido, será iniciado o movimento paredista da categoria médica. A situação financeira dos profissionais se agravou diante do pagamento previsto para 20 de setembro. Segundo os médicos, apenas cerca de 20% do valor devido foi repassado, com a informação de que o restante seria quitado até o dia 30 de setembro.

Problemas recorrentes

Ainda na Assembleia, os médicos relataram que as recentes mudanças na organização do Hospital, como a alteração na coordenação da emergência e o fim da atuação do médico internista, preocupam quanto à cobertura de intercorrências e à organização das escalas do Pronto-Atendimento.

Também foi apontada a sobrecarga na urgência, onde, segundo os profissionais, um único médico chega a responder sozinho por toda a demanda do setor durante turnos de 12 horas, incluindo atendimento aos pacientes, acompanhamento de internações, intercorrências e regulações.

A segurança no Pronto-Atendimento e na triagem também foi apontada como uma preocupação. Conforme relatos apresentados na Assembleia, agentes de segurança destinados a esses setores são, por vezes, remanejados para outras áreas do hospital, deixando médicos e demais trabalhadores expostos em um ambiente marcado por situações recorrentes de conflito com pacientes e acompanhantes.

Atraso nas Upinhas

Nesta terça-feira (22), o Sindicato dos Médicos do Ceará também cobrou do Instituto IDEAS a regularização dos pagamentos referentes ao mês de agosto aos médicos que atuaram nas Upinhas pediátricas anexas ao Hospital Infantil SOPAI, no bairro Carlito Pamplona, e ao Hospital Infantil Albert Sabin, no bairro Vila União. As unidades tiveram as atividades encerradas no fim de agosto e, segundo os profissionais, ainda não há previsão para a quitação dos valores 

No ofício, o Sindicato solicitou informações sobre as providências adotadas e um prazo para o pagamento dos serviços já realizados. “Os serviços médicos já foram prestados e encerrados. Portanto, qualquer dificuldade administrativa ou financeira não deve recair sobre os profissionais”, afirma Dr. Edmar Fernandes. 

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