Esporte

Expedição de kitefoil com referência no Ceará cruza litoral brasileiro e leva empresário de Salvador a Macapá

08 de set de 2026

Tipo: publieditorial


Foto: Reprodução/Rancho do Peixe/Tiago Azzi

Uma travessia de quase quatro mil quilômetros pelo litoral brasileiro, movida exclusivamente pela força do vento, coloca o empresário e velejador italiano Marco Dalpozzo diante de uma paisagem que também revela mudanças. Ele partiu de Salvador rumo a Macapá em 22 de agosto, em kitefoil, ao lado dos velejadores Said Selvagem e Wandeson Sousa. A viagem deve durar cerca de 40 dias e integra a quarta edição da expedição Onde o Vento Levar, projeto da Surfin Sem Fim, projeto de turismo de aventura e expedições de kitesurf criado por Dalpozzo e com o Ceará como principal cenário de atuação. 

A rota até a Amazônia Atlântica ocorre em um momento em que a região está no centro de discussões sobre exploração e preservação. A Petrobras confirmou, em agosto, a descoberta de hidrocarbonetos no poço Morpho, na Bacia da Foz do Amazonas, a 175 quilômetros da costa do Amapá, o que reacendeu o debate sobre o potencial de novas reservas e os possíveis impactos sobre uma área ambientalmente sensível. 

A relação entre a viagem e as transformações observadas no litoral aparece também em uma experiência anterior do empresário. Durante uma expedição da Surfin Sem Fim no Preá, no litoral cearense, Marco conta que chegou a ter dificuldade para manobrar devido à quantidade de peixes ao redor. Hoje, segundo ele, a presença de cardumes no mesmo local se tornou menos comum. 

Em entrevista à Jovem Pan, Marco compartilhou uma reflexão sobre os limites dos recursos naturais. “Um mundo de recursos naturais finitos é também um mundo de negócios finitos. A natureza está nos mostrando os limites. Cabe a nós decidir se vamos escutar antes ou depois que for tarde demais”, afirma.

A experiência no mar também se relaciona a outra preocupação do velejador: a redução do espaço para a descoberta em uma rotina cada vez mais orientada por respostas imediatas. Para Dalpozzo, o excesso de aplicativos, algoritmos e recomendações pode diminuir a disposição para observar, fazer perguntas e lidar com aquilo que ainda não tem uma resposta pronta.

Na expedição, esse contato com o imprevisto faz parte da vivência. Sem todas as condições definidas de antemão, os velejadores precisam acompanhar as mudanças do vento, avaliar o cenário ao redor e ajustar o percurso conforme a viagem avança.

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