11 de jun de 2026
Tipo: publieditorial
O segundo dia de desfiles do Dragão Fashion Brasil evidenciou uma das principais características do
evento: a capacidade de reunir diferentes perspectivas da moda brasileira em uma mesma
programação. Entre novos talentos, processos artesanais, discursos políticos e homenagens ao
território cearense, a passarela se consolidou mais uma vez como espaço de criação, memória e
debate.
A programação externa abriu com a Ethos, marca de Beatriz Castro, que apresentou a coleção
“Integração”. Inspirada na relação entre o ser humano e a natureza, a proposta explorou referências
da fauna, da flora e das paisagens litorâneas por meio de técnicas artesanais. Na sequência, Silvânia
de Deus levou à passarela a coleção “ODYSSEIA”, construída a partir de memórias pessoais,
reafirmando sua trajetória consolidada dentro da moda autoral da cidade.
Em seguida, o tradicional Concurso dos Novos. Representando Fortaleza, a Universidade de
Fortaleza (Unifor) dividiu a passarela com as universidades de Pernambuco, Paraíba e Paraná. Ao
final da apresentação, a instituição paranaense conquistou o primeiro lugar da edição, reafirmando
a relevância do concurso como vitrine para a formação e valorização de novos profissionais da moda
nacional.
Na sequência, George Azevedo apresentou a coleção Vento Forte , uma celebração da estética
maximalista que marca sua trajetória. Com forte inspiração praiana, o desfile explorou estampas
vibrantes, cores intensas e sobreposições, construindo uma narrativa coerente com o universo
criativo do designer.
Um dos momentos mais significativos da noite foi o projeto Mãos da Moda, iniciativa da Nordestesse
viabilizada pelo Riachuelo Lab, dedicada ao incentivo da inovação dos saberes artesanais brasileiros.
Na passarela, Adriana Meira trouxe peças com ricas aplicações têxteis, enquanto Luciana Bortowski
revisitou a tradição da renda de bilro em criações contemporâneas. A marca Dua completou o
projeto com acessórios que incorporam bordados e referências ancestrais, evidenciando a força do
fazer manual.
A Lire Brand levou para a passarela uma coleção inspirada no universo da dança. Com styling de
forte impacto visual, as peças estabeleceram um diálogo entre a estética do balé clássico e
elementos da cultura hip-hop, resultando em uma proposta que equilibra técnica, movimento e
contemporaneidade.
Entre os desfiles da noite, Anônimos, de J. Cabral, destacou-se pelo caráter conceitual e provocativo.
Um dos designers de trajetória mais longa no DFB, Cabral apresentou uma coleção marcada por
símbolos religiosos, rostos cobertos e mensagens que questionam padrões sociais. A frase “a moda
veste corpos”, foi estampada em algumas peças para tratar a moda como instrumento de reflexão.
Encerrando a programação, Gabriela Fiuza apresentou Horizonte de Iracema, coleção inspirada na
escultura Femme Bateau. Com predominância do crochê e de técnicas artesanais, a estilista
construiu uma narrativa que dialoga com a paisagem, a memória e os elementos culturais da
capital cearense.
O segundo dia do Dragão Fashion Brasil demonstrou como a moda brasileira contemporânea
segue encontrando na cultura, no artesanato e na pluralidade de narrativas.